quarta-feira, 23 de julho de 2008

Resumo de "Império" | Ricardo Bodart

de Ricardo Bodart de Andrade


HARDT, Michel; NEGRI, Antônio. (2005). Império. (Do original em inglês "Empire"). Tradução de Berilo Vargas. Com referências. Com bibliografia do autor. 7ª Edição. Rio de Janeiro: Record, 2005. 501 p., p. 203-224.

SUMÁRIO


2.6. SOBERANIA IMPERIAL (203)

DÚVIDAS & REFLEXÕES

BIBLIOGRAFIAS CONECTIVAS



2.6. SOBERANIA IMPERIAL (203)

Os novos homens do Império são os que acreditam em novos começos, novos capítulos, novas páginas; continuo lutando com a velha história, esperando que antes de acabar ela me revele por que achei que valia a pena. (J.M.Coetzee)


As Limitações da Tradição Crítica Moderna

Dedicada a denunciar os dualismos da modernidade, o ponto de vista dessa tradição crítica situa-se no limiar ou no ponto de crise, tanto ‘dentro’ como ‘fora’. O que mudo na passagem para a ordem Imperial é que esse lugar fronteiriço já não existe, e a moderna estratégia crítica tende a não ser afetiva.
As respostas oferecidas na história da filosofia moderna, de Kant a Foucault, para a pergunta ‘O que é Iluminismo’ celebram o uso público da razão no centro do reino social. Kant lidou com o despotismo de Frederico II e Foucault com a Quinta República Francesa, em que uma grande esfera pública de intercâmbio político era tida como certa. Foucault insistiu na necessidade de ficar sobre a fronteira entre o “lado de dentro” da subjetividade e o “lado de fora” da esfera pública. A racionalidade da crítica moderna é proposta nessa fronteira.
Foucault acrescenta outro veio de pergunta, indo além dessas fronteiras e da concepção moderna de esfera pública: como desconectar o crescimento de capacidades (capacites) da intensificação das relações de poder?. Esta nova tarefa requer que tenhamos que ir além da alternativa dentro-fora. Segundo os autores, a resposta de Foucault é bastante tradicional: “Precisamos estar nas fronteiras”I .
Segundo os autores (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 204):
No fim, a crítica filosófica de Foucault ao Iluminismo retorna à mesma perspectiva do Iluminismo. Nesse ir e vir entre o dentro e o fora, a crítica moderna não vai, finalmente, além de seus termos e limites, mas se coloca nas fronteiras.

Essa mesma noção de lugar de fronteira que sirva como ponto de partida para a crítica ao sistema de poder também anima a tradição crítica da teoria política moderna. Citam Maquiavel, Spinoza e Marx como os três mais altos exemplos dessa construção. Ancorados nos processos reais de constituição da soberania moderna, procurando explodir suas contradições e abrir espaço para uma sociedade alternativa. “O exterior é construído de dentro”. Maquiavel, Spinoza e Marx fazem críticas à modernidade situando-se dentro da evolução histórica das formas de poder, num interior que busca um exterior:
Na formação constituinte de uma nova república segundo Maquiavel, na libertação democrática da multidão segundo Spinoza, e na abolição revolucionária do estado segundo Marx, o interior continuava a viver de forma ambígua mas não menos determinada no exterior projetado como utopia. (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 205)

Poderíamos dizer que a singularidade do trabalho de Deleuze e Guattari, reconhecida por Rolnik (Guattari, F.; Rolnik, S., 1986: 45), se dá pelo fato de não porem o problema do contemporâneo em termos de dentro e fora?II
Negri e Hardt dizem não sugerir que as novas críticas da modernidade não tenham chegado a um ponto verdadeiro de ruptura, sem permitir mudança de perspectiva, nem que seu projeto não se enriqueça com essas fundações. Sua força consiste, segundo eles, pelo fato de serem propostas como demandas ontológicas.
O poder da moderna crítica da modernidade reside justamente onde a chantagem do realismo burguês é repudiada – em outras palavras, onde o pensamento utópico, indo além das pressões de homologia que sempre o limitam ao que já existe, recebe uma nova forma constituinte. (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 205)

Seguem afirmando que as limitações das críticas modernas ao contemporâneo se tornam claras ao serem questionados seu poder de transformar não apenas o objetivo que se visa com a crítica, mas também o próprio ponto de vista da crítica. Para exemplificar essa idéia, o autor se utiliza da Spinoza em quinta parte de sua Ética, talvez, segundo os autores, o maior desenvolvimento da crítica da modernidade.
Às vezes, partindo desse alto nível de desenvolvimento ontológico, o pensamento de Spinoza tenta confrontar a realidade, mas a proposta ascética se detém, tropeça, e desaparece na tentativa mística de reconciliar a linguagem da realidade com a divindade. Finalmente, em Spinoza como em outros grandes críticos modernos da modernidade, a busca de um exterior parece encalhar e propor apenas fantasmas de misticismo, intuições negativas do absoluto. (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 206)

Nesse momento, não tenho condições de argumentar diante das afirmações de Hardt e Negri no que tange à limitação da crítica moderna sobre a modernidade, em especial suas considerações sobre a maquinaria de Foucault e Spinoza. Se pudermos dizer que a grande pergunta de Foucault, na esteira de Nietzche, é “o que temos feito de nós mesmos?”, utilizando a questão das relações de poder e constituição histórica do sujeito como meios de análise, importa pouco, ao meu ver, que Foucault tenha dado uma resposta moderna ao seu contemporâneo. O verdadeiro problema para Foucault, em suas próprias palavras é o de “forjar instrumentos de análise, de ação política e de intervenção política sobre a realidade que nos é contemporânea e sobre nós mesmos.” (FOUCAULT, Ditos e Escritos, p. LVII, v. 5).
Foucault se preocupa com o como as coisas se dão. Como nos tornamos sujeitos de conhecimento, de ação e de moral. Perguntar-se sobre os comos tende a uma transposição das fronteiras impostas pelos processos de constituição do sujeito moderno.III


NÃO EXISTE LADO DE FORA

De acordo com Gilles Deleuze e Félix Guattari, entretanto, “o racismo ... nunca operou por exclusão, ou pela designação de alguém como o Outro... O racismo opera pela determinação de graus de desvio em relação á face do homem branco, que tenta integrar traços dissidentes em ondas cada vez mais excêntricas e retrógradas... Do ponto de vista do racismo, não existe exterior, não existem pessoas do lado de fora.”IV Deleuze e Guattari nos desafiam a conceber a prática racista não em termos de divisões binárias e exclusões, mas como estratégia de inclusão diferenciada. (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 213 – negrito nosso)



DA GERAÇÃO E CORRUPÇÃO DE SUBJETIVIDADE (215-217)

Nesse capítulo os autores evidenciam a formação social da subjetividade. É no campo das forças sociais que vamos sendo gerados. Segundo eles a teoria social moderna esvaziou a noção de subjetividade pré-social e fundamentou a produção de subjetividade no funcionamento das grandes instituições sociais: prisão, família, fábrica, escola. Hardt e Negri (2005: 215) evidenciam dois aspectos do processo de produção social da subjetividade:
Primeiro, a subjetividade é um constante processo social de geração (...) As práticas materiais delimitadas para o sujeito no contexto da instituição (seja ajoelhar-se para rezar, seja trocar centenas de fraldas) são os processos de produção de subjetividade. De modo reflexivo, portanto, mediante suas próprias ações, o indivíduo é influenciado, gerado. Segundo, as instituições fornecem acima de tudo um lugar discreto (a casa, a capela, a sala de aula, a loja) onde a produção de subjetividade é realizada. As diversas instituições da sociedade moderna devem ser vistas como um arquipélago de fábricas de subjetividade.

Na seqüência os autores falam que ao longo da vida um indivíduo passa linearmente por essas várias instituições, sendo por elas formado. Surgiram-me aí duas conexões. Esse ‘linear’ aí me lembrou as linhas de segmentaridade apontadas por Deleuze e Guattari em “Mil Platôs 3”V – capítulo Micropolítica e segmentaridade, p. 83 a 115 – onde eles falam sobre as segmentarizações que nos constituem: binárias, lineares, circulares, molares, moleculares, flexíveis, duras. Será que essa passagem linear do indivíduo pelas diferentes instituições é a segmentaridade linear do pensamento da multiplicidade? A segunda conexão é com a idéia de instituição da Análise Institucional, que não significa estabelecimento ou organização, mas sim, conjunto de regras, maneiras de lidar, crenças. Será que Negri e Hardt igualam o termo instituição a estabelecimento?
Hardt e Negri afirmam também que temos pós-modernismo quando a teoria moderna de construtivismo social é levado ao extremo e todo subjetividade é tida como artificial. Na transição para a sociedade imperial, as instituições (entendida por eles como os estabelecimentos) continuam produzindo subjetividades intensamente. O diferencial no Império é que os muros que as limitavam não existem mais, e a formação subjetiva se espalha pelo terreno social. Segundo eles, “Interior e exterior estão se tornando impossíveis de distinguirVI .
A produção de subjetividade na sociedade imperial tende a não se limiar a qualquer lugar específico. Estamos sempre ainda na família, sempre ainda na escola, sempre ainda na prisão, e assim por diante. (...) A indefinição do lugar da produção corresponde à indeterminação da forma das subjetividades produzidas. As instituições sociais imperiais podem ser vistas, assim, num processo fluido de geração e corrupção de subjetividade.



O IMPERATIVO TRIPLO DO IMPÉRIO (217-220)

O aparelho geral de comando do Império consiste na realidade em três momentos distintos: um inclusivo, outro diferencial, e um terceiro gerencial. (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 217)

O momento inclusivo é generalizado, liso, aceita tudo e todos em seu vasto domínio. Essa inclusão se dá pelo estabelecimento de uma noção geral de direito, com a minimização dos potenciais das diferentes subjetividades constituintes. Nas palavras de Hardt e Negri (2005: 218)
O espaço público resultante da neutralidade do poder torna possível o estabelecimento e a legitimação de uma noção universal de direito que forma o âmago do Império. A lei da indiferença neutra inclusiva é um fundamento universal no sentido de que se aplica igualmente a todos os indivíduos que existem e podem existir debaixo de sua autoridade (...) o Império é uma espécie de espaço liso pelo qual deslizam subjetividades sem resistência ou conflitos substanciais.

Nesse ponto fico curioso para a idéia de resistência tida por esses autores. Se nesse primeiro momento de comando do Império todos são inclusos sem resistência, então quando se dá alguma resistência? Ela acontece em algum momento? Quando começa essa inclusão indiferenciada? Dá-se quando nascemos? Quando, de fato, entramos nos domínios do Império? Uma criança negra que nasce numa maternidade pública, ela já nasce inclusa nesse grande comando?
O segundo momento de controle imperial é diferencial, ou seja, em contraste à universalidade jurídica – em que as diferenças precisam ser deixadas de lado – as diferenças aqui são festejadas numa perspectiva cultural. Sob o guarda-chuva da inclusão universal as diferenças são afirmadas num conflitualidade amenizada e amenizável. As diferenças deixam de ser biológicas e essenciais, passando a serem consideradas numa visão cultural e contingente, de forma que não afetariam a comunalidade característico do mecanismo inclusivo imperial: diferenças não conflituosas, que podem ser postas de lado.
...desde a guerra fria, identidades étnicas têm sido ativamente (re)criadas nos países socialistas e ex-socialistas, como o firme apoio dos Estados Unidos, da ONU e de outros organismos globais. Dialetos locais, topônimos tradicionais, artes, artesanatos, e assim por diante são celebrados como importantes componentes da transição do socialismo para o capitalismo. Essas diferenças, imagina-se, são “culturais” e não “políticas”, supondo-se que não levarão a conflitos incontroláveis, mas que, pelo contrário, vão funcionar como força de pacífica identificação regional. (...) Em geral, o Império não cria diferenças. Recebe o que existe e trabalha com o que recebe. (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 218-219)

Seguindo o momento diferencial há de vir o gerenciamento das diferenças, ou seja, administrá-las e hierarquizá-las numa economia geral de comando. Diferente da maquinaria colonial – que fixava identidades, peças fundidas fixas, propondo equações simples e solução única – a rede imperial atua por modulações, com auto de formações dinâmicas, com soluções imcompletas, efetivas porque mutantes de um ponto a outro, dentro de uma multiplicidade de variáveis complexas.
À modo de uma grande corporação transacional que encara com diferentes métodos e graus de exploração repressão os diversos grupos étnicos que trabalham para ela, o Império lida localmente nos diferentes territórios de seu domínio. Nas palavras dos autores:
Contingência, mobilidade e flexibilidade são o verdadeiro poder do Império. A “solução” imperial não será negar ou atenuar as diferenças, mas, de preferência, afirmá-las e ordená-las num efetivo aparelho de comando.

“Dividir e conquistar” não é, portanto, a correta formulação da estratégia imperial. Com mais freqüência o Império não cria divisões mas reconhece as diferenças existentes ou potenciais, festeja-as e administra-as dentro de uma economia geral de comando. O triplo imperativo do Império é incorporar, diferenciar e administrar. (Hardt, M.; Negri, A., 2005: 220 - negrito nosso)



DA CRISE Á CORRUPÇÃO (220-222)

Chegamos assim a uma série de distinções que marcam conceitualmente a passagem da soberania moderna para a soberania imperial: do povo para a multidão, da oposição dialética para a administração de híbridos, do lugar da soberania moderna para o não-lugar do Império, da crise para a corrupção. (Hardt, M.; Negri, A., 2005: 222)

A manutenção do império está no corte de continuidades ontológicas.
Vemos a corrupção, ao contrário, não como acidental, mas necessária. Ou, mais exatamente, o Império requer que todas as relações sejam acidentais. O poder imperial funda-se na ruptura de toda relação ontológica. A corrupção é apenas o sinal de ausência de qualquer ontologia. No vácuo ontológico., a corrupção se torna indispensável, objetiva. (Hardt, M.; Negri, A., 2005: 222 – negrito nosso)

É exatamente nas brechas abertas pela corrupção que o Império prospera. Considerando a etimologia da palavra (cum-rumpere, partir-se), os autores afirmam a o caráter impuro e híbrido imperial, que se movimento sucumbindo sem, no entanto, rumar para a ruína. Da mesma maneira que a crise da modernidade não foi nem temporária nem excepcional, a corrupção não é uma aberração da soberania imperial, mas, sim, sua própria essência, seu modus operandi.
A soberania imperial prospera nas contradições multiplicadas a que a corrupção dá origem; ela é estabilizada por suas instabilidades, por suas impurezas e misturas; acalmada pelo pânico e pelas ansiedades que continuamente produz. A corrupção dá nome ao processo perpétuo de alteração e metamorfose, à fundação antifundacional ao modo deontológico de ser. (Hardt, M.; Negri, A., 2005: 222)



Dúvidas & Reflexões

Qual a concepção moderna de esfera pública? (204)
O que é a Teoria Social Moderna? Ela também propõe uma análise institucional? (Hardt, M.; Negri, A., 2005: 215)
Quando começa a inclusão por parte do Império? (2005: 218)


Como aproveitar essa idéia do vácuo ontológico pela micropolítica?

A manutenção do império está no corte de continuidades ontológicas.
Vemos a corrupção, ao contrário, não como acidental, mas necessária. Ou, mais exatamente, o Império requer que todas as relações sejam acidentais. O poder imperial funda-se na ruptura de toda relação ontológica. A corrupção é apenas o sinal de ausência de qualquer ontologia. No vácuo ontológico, a corrupção se torna indispensável, objetiva. (Hardt, M.; Negri, A., 2005: 222 – negrito nosso)



Bibliografias conectivas
Obra foucaultiana
VEIGA-NETO, A. Foucault & a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. 192 p.

Biopolítica
PELBART, Peter Pál. Vida Capital: ensaios de biopolítica. São Paulo: Iluminuras, 2003. p. 60-67, 81-89.

Micropolítica
ANDRADE, R. B.; LEITE. L e HECKERT, A. L. C.. (2007) Novidade? Novidade! Impensáveis: ensaios sob(re) a invenção em Psicologia Em Jornada de Análise Institucional (1. : 2007 : Vitória, ES). Anais da I Jornada de Análise Institucional, 14 a 15 de agosto de 2007. – Vitória: Faculdade Saberes, 2007. 1 CD-ROM. ISSN 1981-8548. 1. Psicologia - Pesquisa. 2. Análise institucional - Pesquisa. I. Universidade Federal do Espírito Santo. Departamento de Psicologia. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Institucional. III. Universidade Federal do Espírito Santo. PET Psicologia. IV. Faculdade Saberes. V. Título. CDD 158.7. Vitória, ES, 2007. p. 103 a 111.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. (1996). Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 3. Trad. de Aurélio Guerra Neto et alii. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996. p. 9 a 29.
GUATTARI, F. (1990).As Três Ecologias. 16ª edição. SP, Papirus: 1990. 56 p.
GUATTARI, F.; ROLNIK, S. (2005). Micropolítica: cartografias do desejo. 1ª Edição: 1932. 7ª edição, revisitada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. p. 21-32, 33-148.

Poder
FOUCAULT, Michel. (1979). Microfísica do Poder. XXIII + 295 páginas. XVII capítulos. 00 referências. 00 apêndices. Com 17 referências bibliográficas. 14 X 1,7 X 21 cm. Abóbora. 1ª Edição: 0000. 22ª edicão. Rio de Janeiro, Edições Graal: 1979.
____. (2006). Estratégia, Saber-Poder. (Coleção Ditos & Escritos). Vol. IV. Manoel Barros da Motta (Orgs.). 2ª Edição. Porto Alegre: Forense Universitária: 2006. 192 p.



I The Essential Works of Foulcault 1974-1984.
II Será que temos no reconhecimento da produção de subjetividade capitalística como indústria de base do sistema capitalista (ou socialista burocrático), na sensibilidade aos pontos de ruptura desse complexo industrial da subjetivação e no reconhecimento de tais pontos de ruptura como focos de resistência política da maior importância (já que atacam a própria raiz do sistema) o pulo do gato para pensar o contemporâneo? O pulso da novidade das intervenções de Deleuze e Guattari vibra nesses três eixos, vibra na afirmação de que a luta pela vida abrange também a economia subjetiva. (Guattari, F; Rolnik, S., 1986: 53).
III Veiga-Neto, em seu livro sobre o pensador francês (VEIGA-NETO, A. Foucault & a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. 192 p.), apresenta a obra de Foucault apontando como trabalhar com este pensador no campo da Educação. Reconhecendo a limitação das sínteses da obra de Foucault de orientação metodológica (Arqueologia, Genealogia e Ética) e cronológica (fases I - 1954, pausa – 1961, fase II...) o autor situa as teorizações foucaultianas como uma hipercrítica, nem teoria, nem escola, impossível para uma pretensão totalizável coerente. Apresenta Foucault a partir de seus domínios – ser-saber, ser-poder, ser-consigo –, ou como nos tornamos sujeitos modernos de conhecimento, de ação e constituídos pela moral. Veiga-Neto lembra dois cuidados ao estudar o pensador francês: o primeiro se refere a reconhecer a condição não-transcendental de sua crítica, ou seja, uma crítica arqueológica (articulante tantos dos discursos que articulam o que pensamos, dizemos e fazemos, como os acontecimentos históricos) e genealógica (contigente ao que somos e o que podemos ser). O segundo cuidado é considerar o racional como uma atitude de reflexão e transgressão, a que ele chamou de atitude-limite, ou seja, “uma atitude não de simples negação, mas de se colocar sempre nas fronteiras para tentar ultrapassá-las, ir adiante dos limites que elas parecem impor a nós”( VEIGA-NETO, A., 2005: p.31).
IV Mil platôs, p. 178.
V DELEUZE, Gilles; GUTARRI, Félix. (1996). Resenha Mil Platôs 3: capitalismo e segmentaridade. (Do original em francês Mille platéaux – Capitalisme et schizophrénie). (coleção TRANS). Tradução de Aurélio Guerra neto et alii. V capítulos. 17 subcapítulos. Sem referências. Com bibliografia do autor. 14 X 0,8 X 21 cm. Branco. 1ª Edição. 2ª reimpressão em 2004. Rio de Janeiro, Edição 34: 1996. 120 p.
VI (HARDT, M.; NEGRI, A.: 2005: 216)

Um comentário:

blog PPGPSI disse...

Pessoal, ATENÇÃO, o texto foi revisto e corrigido no dia 30 de julho de 2008!
atenciosamente,
a Rede.