quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Abecedario de Gilles Deleuze.


O Abecedário de Deleuze, como é chamado, configura-se uma série de temas/questões que seguem a ordem das letras do abecedário francês. Tais questões foram feitas por Claire Parnet, em 1988, a Gilles Deleuze e registradas em vídeo. E conforme acordado, divulgadas somente após sua morte.
Quanto ao vídeo, é possível ter acesso a ele através do You Tube, porém em fragmentos, ou seja, uma letra/tema está dividida em partes. Encontra-se também no site agitkom.net.
As letras conferem os seguintes temas:
A de Animal
B de Beber
C de Cultura
D de Desejo
E de Enfance [Infância]
F de Fidelidade
G de Gauche [Esquerda]
H de História da Filosofia
I de Idéia
J de Joie [Alegria]
K de Kant
L de Literatura
M de Maladie [Doença]
N de Neurologia
O de Ópera
P de Professor
Q de Questão
R de Resistência
S de Style [Estilo]
T de Tênis
U de Uno
V de Viagem
W de Wittgenstein
X de Desconhecido
Y de Indizível
Z de Ziguezague

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A VIDA COMO OBRA DE ARTE: PRÁTICAS E INTERFERÊNCIAS


Universidade Federal Fluminense - UFF
Instituto de Ciências Humanas e Filosofia - ICHF
Programa de Pós-Graduação em Psicologia


A VIDA COMO OBRA DE ARTE: PRÁTICAS E INTERFERÊNCIAS

DATA: 13 e 14 de novembro de 2008.
LOCAL: Auditório ICHF, 2º andar, Bloco O – Campus Gragoatá - UFF


P R O G R A M A Ç Ã O


DIA 13/11 – QUINTA-FEIRA

9:30 – 10:00 - ABERTURA OFICIAL DO EVENTO
Cristina Rauter (Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF)
Silvia Josephson (Chefe do Departamento de Psicologia da UFF)
Francisco Palharini (Diretor do ICHF)

10:00 – 12:00 – IMAGEM E SUBJETIVIDADE
Luiz Antonio Baptista - UFF
Consuelo Lins – cineasta e professora da ECO - UFRJ
João Jardim – cineasta
Luame Cerqueira - UERJ

12:00 – 14:00 - Intervalo para almoço

12:30 – 16:00 – Oficinas
Programação
Inscrições p/ oficinas acontecerão no dia e local


16:00 – 18:00 – INSTITUIÇÕES, GRUPOS E SUBJETIVIDADES
Maria Lívia Nascimento- UFF
Teresa Cristina Carreteiro - UFF
Claudine Blanchard-Laville – Université Paris Ouest Nanterre La Défense
Laurence Gavarini - Université de Paris VIII

18:00 – LANÇAMENTOS DE LIVROS
– Consultar o site: www.slab.uff.br



DIA 14/11 – SEXTA-FEIRA

10:00 – 12:30 – SAÚDE, VIDA E TRABALHO
Hélder Muniz - UFF
Eduardo Passos - UFF
Claudia Osório - UFF
Milton Athayde - UERJ
Maria Elizabeth Barros - UFES

12:30 – 14:00 - Intervalo para almoço

14:00 – 16:00 - Oficinas
Programação
Inscrições p/ oficinas acontecerão no dia e local


16:00 – 18:30 – ARTE E CORPO
Ruth Torralba - mestranda UFF
Márcia Moraes - UFF
Eduardo Lociser - psicanalista
Elizabeth Pacheco - doutoranda PUC-SP
Luiz Fuganti – Escola Nômade/SP


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Comissão Organizadora do Evento:

Alice de Marchi P. de Souza
Ariadna Patricia Alvarez
Cristiane Knijnik
Donati Caleri
Gustavo Duarte de Almeida
Lindomara Gomes Silva
Maria Lívia do Nascimento
Ruth Torralba Ribeiro
Sandro Rodrigues

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pensando sobre a Sociologia da Violência | Thiago Mansur

SOCIOLOGIA DA VIOLÊNCIA
De Thiago Sandrini Mansur

Quatro conclusões sobre a “acumulação social” da violência na sociedade brasileira: uma reflexão sobre a sociologia de Michel Misse.

1ª Conclusão: A violência é produto de relações sociais concretas construídas historicamente. Isso significa dizer que a acumulação social da violência é um processo heterogêneo e não-linear; é a partir das transformações históricas, ora com suas rupturas ora com suas continuidades, que a violência adquire forma. Acredito que a evidência disso é a ênfase investida pelo sociólogo Michel Misse (2006) em questões como: (a) “as tradições do banditismo urbano no Rio”: se fica claro que não há identidade entre as figuras do malandro, do marginal e do vagabundo, também se percebe que entre um e outros existem certas semelhanças, como se, apesar da descontinuidade, o “imaginário social” fizesse com que a fronteira entre eles fosse suavizada. Não há identidade nem continuidade entre as maltas de capoeiras e os malandros, do mesmo modo entre estes e a figura do marginal, por exemplo. Cada contexto histórico forma suas próprias figuras. (b) Em conseqüência dessa questão, há diferenças entre os modos de expressão da violência e da criminalidade nos distintos momentos históricos. Dessa forma, o autor mostra inúmeras divergências entre, por um lado, o modo de funcionamento do jogo do bicho e das mercadorias políticas que lhe eram correlatas e, por outro, constituição do “movimento” do tráfico de drogas. Apesar disso, Misse (2006) não nega que, em certos momentos, houvesse convergência entre ambos, como na questão da busca pela delimitação de territórios. Assim, “banqueiros” do jogo do bicho e “gerentes” do tráfico buscavam, cada um à sua maneira e de acordo com seu contexto histórico, delimitar seus espaços (territórios) de atuação. Misse também mostra diferenças entre a constituição do tráfico da maconha e o da cocaína. A formação das redes de tráfico de cocaína – cuja demanda foi produzida a partir da fixação de alguns portos brasileiros como rota internacional de drogas, a partir das décadas de 1970 e 1980 – utilizou como base as redes de movimento da maconha, já constituídas há pelo menos meio século antes. Entretanto, o significado social dessas redes de movimento foi tomando sentidos diferentes ao longo da história.
2ª Conclusão: A violência é vista sob o aspecto econômico-político. A violência, portanto, está intimamente relacionada com as formas de dominação produzidas/reproduzidas historicamente pelas relações sociais concretas. Daí o motivo do autor pensar a violência como uma mercadoria política, melhor dizendo, a violência como prática de dominação que engendra valiosos mercados – o mercado da segurança privada formal e informal, legal e ilegal, por exemplo. Forma-se uma verdadeira prática de gestão das relações sociais através da violência. A partir do que o autor propõe em seu texto, concluímos que não se trata somente de uma economia de mercado, há que se pensar, também, em uma economia subjetiva, isto é, que os indivíduos produzam e reproduzam cotidianamente a violência em suas relações em sociedade. Desse modo, o autor forja o conceito de mercadoria política para explicar a constituição da violência nas relações. Entendo por mercadoria todo produto do trabalho humano realizado em uma sociedade cujo valor pode ser comparado e trocado por um outro trabalho humano, diferente deste primeiro. Um casaco é uma mercadoria, pois é produto do trabalho humano, assim como a proteção, seja formal ou informal, lícita ou ilícita (fornecida pelo Estado, por traficantes ou por uma milícia armada). Com relação ao termo ‘político’, Misse faz questão de salientar que usa tal acepção no sentido amplo de relações de força e poder. Portanto, a mercadoria política seria assim definida pelo autor:
Há um mercado informal cujas trocas combinam especificamente dimensões políticas e econômicas, de tal modo que um recurso (ou um custo) político seja metamorfoseado em valor de troca. O preço das mercadorias (bens ou serviços) desse mercado, por ganhar a autonomia de uma negociação política, passa a depender não apenas das leis de mercado, mas de avaliações estratégicas de poder, de recurso potencial à violência e de equilíbrio de forças, isto é, de avaliações estritamente políticas. Para distinguir a oferta e demanda desses bens e serviços daqueles cujo preço depende fundamentalmente do princípio de mercado, proponho chama-los de ‘mercadorias políticas’ (Misse, 2006, p. 206).

E mais adiante, o autor conclui sendo enfático ao afirmar que toda mercadoria política produz um jogo de dominação:
Proponho, em resumo, chamar de ‘mercadoria política’ toda a mercadoria que combine custos e recursos políticos (expropriados ou não do Estado) para produzir um valor-de-troca político ou econômico (Misse, 2006, p. 209).

3ª Conclusão: O significado da expressão “acumulação social da violência”. Conforme discutido na primeira conclusão a violência não é algo que surge do nada, ao contrário, ela é produto das relações sociais concretas. De acordo com a segunda conclusão, as relações são concretas porque são produzidas historicamente por indivíduos em sociedade: seja ao longo do desenvolvimento histórico, seja em uma época determinada. Há uma acumulação social da violência porque ela é produzida e reproduzida historicamente pelas relações entre os indivíduos em sociedade. Isso mostra o quanto o fenômeno da violência e da criminalidade não é natural, pondo-se em questão sua banalização. Embora a violência permeie, em maior ou menor grau, o desenvolvimento histórico de todas as sociedades, esta relação se constitui com suas particularidades em cada época determinada e em cada sociedade específica. Isto significa dizer que o que determinada sociedade chama de violência não está desvinculado das condições materiais de sua existência.
4ª Conclusão: Trata-se de desterritorializar a violência, isto é, retirar seu lócus da favela ou de determinados bairros/regiões da cidade. Como na música da banda carioca O Rappa:
“O gueto também ilude e seduz com o poder da cocaína,
Que comanda o sucesso nas bocas-de-fumo da esquina,
Mas a favela não é mãe de toda dúvida letal,
Talvez seja de maneira mais direta e radical,
O sol que assola esses jardins suspensos da má distribuição...”
(Catequese do Medo, O Rappa, 1994)

A violência é analisada por sua capacidade de disseminação pelo tecido social, não se concentrando apenas nas favelas (e guetos). Se, por um lado, Misse aponta que a constituição das redes de tráfico de drogas se dá principalmente nas favelas e conjuntos habitacionais do Rio de Janeiro, por outro, ele também evidencia que a criminalidade e a violência não se restringem a essas regiões. Desse modo, a circulação de mercadorias políticas (de proteção e segurança, por exemplo) que alimentam e reproduzem a violência não se situa nas favelas e bairros de periferia. De acordo com essa lógica, há que se pensar nas situações em que os agentes do Estado se apropriam ilegalmente de recursos políticos monopolizados pelo Estado visando à obtenção de vantagens particulares e nos crimes do colarinho branco. Além disso, mesmo nos momentos onde o Estado atua como órgão perpetrador de violência com amparo legal, em minha opinião, ela nunca é legítima. Não se trata somente de pensar a violência como sendo possível de ser localizada em algum lugar ou algum sujeito. Por mais que o indivíduo seja aquele que incorpora a violência através de seus atos e por mais que o índice de homicídios (por exemplo) esteja apontando para um determinado bairro ou região, eles são apenas expressões de relações de dominação, não são fatos. Nesse sentido, penso que os indivíduos não detêm a violência e aplicam-lhe sobre os outros, que seriam suas vítimas; os indivíduos são produtos de relações sociais permeadas e constituídas historicamente pela e na violência. A vítima nasce junto com o algoz.

Referências Bibliográficas
BARROS, Regina Duarte Benevides de; RAUTER, Cristina; PASSOS, Eduardo. Clínica e política: subjetividade e violação dos direitos humanos. Rio de Janeiro: IFB/Te Cora, 2002.
CHAUÍ, Marilena. Ética e violência. Revista Teoria em Debate, São Paulo, n. 39, outubro/dezembro 1998. Disponível em http://www2.fpa.org.br/portal. Acesso em 26/10/2007.
___________. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. São Paulo: Cortez, 2003.
FOUCAULT, Michel. O sujeito e o poder. In: DREYFUSS, R. ; RABINOW, P. Michel Foucault: uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
___________. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
MISSE, Michel. Crime e violência no Brasil contemporâneo. 2006. pp. 137-300.
YUKA, Marcelo. Catequese do medo. In: O Rappa. O Rappa. Rio de Janeiro: Warner Music, 1994. 1 CD, faixa 1. Produção: Fábio Henrique.
WIEVIORKA, M. Para compreender a violência: a hipótese do sujeito. In: WIEVIORKA, M. Em que mundo viveremos. São Paulo: Perspectiva, 2006, pp. 201-223.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Resumo "Quando novos personagens entraram em cena" | Janaina Brito

SADER, Eder. Quando novos personagens entraram em cena: experiências e lutas dos trabalhadores da grande São Paulo 1970-1980. 4.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.


De Janaina Madeira Brito Stange


Prefácio – Marilena Chauí
Eder Sader mostra como os movimentos sociais produzem um novo sujeito; um sujeito coletivo; um sujeito diferente do moderno que é um sujeito individualista e racional; Sader mostra o “cotidiano popular”, novos lugares para o exercício da política;
(Página 12) - “Que são as migalhas das pequenas das pequenas vitórias das pequenas lutas? São as experiências que os excluídos adquirem de sua presença no campo social e político, de interesses e vontades, de direitos e práticas que vão formando uma história, pois seu conjunto lhes ‘dá a dignidade de um acontecimento histórico’”.

Apresentação – questões que ajudam na organização do método;
Sader entende que estudar o cotidiano é entender um certo alargamento da política; Qual o objeto da pesquisa? Qual a questão da pesquisa? Quais os caminhos da pesquisa?

Cap. 1 – Idéias e Questões
Qual é a linguagem dos MS? De que lugares falam? Que valores defendem? Qual é a originalidade do fenômeno? O MS é uma firmação de setores da sociedade.
Neste capítulo ele organiza suas referências teóricas, também quanto à valorização do discurso, para escuta e análise;

(Página 29) – falando da função dos MS
“Nessa representação a luta social aparece sob forma de pequenos movimentos que, num dado momento, convergem fazendo emergir um sujeito coletivo com visibilidade pública.”

(Página 41) – “O fato é que, pretendendo explicar movimentos sociais por determinações estruturais, os analistas chegam a impasses insolúveis.”

(Página 48) – os MS e o que sinalizam quanto às condições das classes no Brasil
“A constituição dos movimentos sociais implica uma forma particular de elaboração dessas condições (elaboração mental enquanto forma de percebê-la, mas também elaboração prática enquanto transformação dessa existência). Nesse sentido, movimentos sociais operam cortes e combinações de classe, configurações e cruzamentos que não estavam dados previamente.”

Cap. 2 – Sobre as experiências da condição proletária em São Paulo
Sader nos apresenta como as migrações são fenômenos associados às condições de trabalho e nada é pejorativo neste sentido; o desafio que se instala é como os migrantes se assentam nos novos espaçamentos sociais? as migrações para a cidade é sinal de modernidade; sinal logo de desenraizamento;

(Página 110) – estar em desvantagem na relação de poder, não significa entender o popular como idiota; é preciso, antes de fazer colagens interpretativas, se empenhar na tentativa de ouvi-los sobre as aparentes contradições e mascaras que possam eventualmente portar;
“Ou seja, os “manipulados” também “manipulam”. Através da absorção de padrões dominantes eles expressam algo de suas vontades e seus sonhos e é exatamente isso que é necessário saber ouvir”.

(Página 115) – a existência dos MS se relacionam com esta dimensão política-participativa; com uma dimensão da sociabilidade, do encontro social; e com a dimensão humana, de se fazer ouvir em seus anseios e impasses;
“Assistimos tanto ao fechamento de espaços públicos de manifestação política quanto ao fechamento de espaços públicos de convivência social, por onde se coletivizavam experiências sem incidência direta na institucionalidade política.”

Cap. 3 – Matrizes Discursivas – são modos de abordagem da realidade
Também os ANALISADORES podem ser entendidos como modos de abordagem da realidade;

(Página 141) - sobre o cotidiano
“Mas o cotidiano não pode ser pensado como um lugar mítico onde, em sua pureza, os pobres se apresentam como são, libertos de ideologias estranhas. Melhor vê-lo em sua ambigüidade de “conformismo e resistência”, expresso na “consciência fragmentada” da cultura popular.

Questões: Os Projetos Sociais são uma resposta a quê? (Gênese); quais suas ideologias? Quais suas práticas? O que os Projetos Sociais anunciam?

Os movimentos populares nem sempre se ancoraram nos argumentos da democracia, até porque eles existem anteriormente a este regime. Logo pode encontrar na democracia uma força argumentativa, mas eles, antes, sinalizam outras forças – que aí entra meu entendimento do humano;
Neste capítulo Sader analisa os movimentos sindicais, a igreja, e os movimentos populares de bairro; como achei uma analise local, vale o estudo, mas não recolhi citações que se fizessem generalizáveis;

Cap. 4 – Movimentos Sociais
(Página 199) – sobre os MS na década de 70
“Os movimentos sociais tiveram de construir suas identidades enquanto sujeitos políticos precisamente porque elas eram ignoradas nos cenários públicos instituídos. Por isso mesmo o tema da autonomia esteve tão presente em seus discursos. E por isso também a diversidade foi afirmada como manifestação de uma identidade singular e não como sinal de uma carência.”

(Página 215) - “(...) o movimento vai tecendo uma ligação entre o mundo do cotidiano e o mundo da política”.

(Página 216) – a noção de conquistas diferindo da noção de resultados, atuais nas ONGS; isto mostra a diferenciação do protagonismo social; Com as ONGS, na maioria das vezes, os atores são outros, a noção de crescimento também é de outra escala valorativa;
“Os movimentos cresciam em cima das conquistas obtidas (...)”.

(Página 221) – sobre o clube das mães da periferia de SP, como ocorre transformação, movimentos;
“De uma experiência coletiva emergia uma nova idéia de política. Essa nova idéia não lhes veio já elaborada, e as elaborações até então instituídas não lhes serviam. A palavra “política” vinha carregada de conotações que elas rechaçavam. A nova idéia de política estava sendo criada (e a criação desse novo discurso era também a criação de novos sujeitos coletivos)”.

(Página 222) – desnaturalização das condições de vida
“E, ao valorizarem a sua participação na luta por seus direitos, constituíram um movimento social contraposto ao clientelismo característico das relações tradicionais entre os agentes políticos e as camadas subalternas.”

(Página 250) – sobre o sujeito coletivo que é o sindicato
“É nesse quadro que as lutas fabris são assumidas como momentos de auto-afirmação de grupos operários, que vêem nelas o processo de sua constituição como sujeitos políticos. Mas essa atribuição de sentido não pode ser vista como se fosse o ato soberano de um sujeito racional. Ela se realiza no confronto entre diversos agentes – que atribuem significados diversos aos acontecimentos – e no jogo de situações concretas, onde tais significados ganham contornos imprevistos.”

O estudo sobre os sindicatos mostram como é preciso fazer confrontar as for;as motivadoras dos conflitos e os processos institucionalizados;

(Página 275) – sobre o controle da saúde feito pela população
“Mas a maioria viu aí uma forma de aumentar o poder da própria população e, com isso, incidir sobre as relações políticas. Era um outro modo de fazerem a população participar da política, porque não se referia a temas abstratos e uma representação institucional, mas a uma participação direta a partir de um tema concretamente vivido.”

(Página 280) – sobre o sindicado, que será extensivo às ONGS?
“A verdade é que a diretoria eleita esforçou-se para que o sindicato fosse assumido pelos trabalhadores como um órgão de luta e não somente como uma sede com seus serviços assistenciais.”

(Página 299) – o movimento é uma fala
“É evidente que o sindicato não foi estranho às greves que eclodiram em maio. Eram freqüentes as referências de seus dirigentes e assessores a uma greve como única forma de obrigar os empresários a ouvir os reclamos de seus empregados.”

Algumas considerações finais

(Página 313) – as classes populares e os MS
“As classes populares se organizam numa extrema variedade de planos, segundo o lugar de trabalho ou de moradia, segundo algum problema específico que os motiva ou segundo algum princípio comunitário que as agrega.”

“Os movimentos sociais não substituem os partidos nem podem cancelar as formas de representação política. Mas estes já não cobrem todo o espaço da política e perdem sua substância na medida em que não dão conta dessa nova realidade.”

“Apontaram no sentido de uma política constituída a partir das questões da vida cotidiana. Apontaram para uma nova concepção da política, a partir da intervenção direta dos interessados. Coloram a reivindicação da democracia referida às esferas da vida social, em que a população trabalhadora está diretamente implicada: nas fábricas, nos sindicatos, nos serviços públicos e nas administrações dos bairros.”

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

SELEÇÃO | MESTRADO PSICOLOGIA INSTITUCIONAL | 2008/2009

Data: 1º outubro à 27 de outubro de 2008
Local: UFES | CEMUNI de Psicologia | (027)4009-7643
[+] info: www.ufes.br | www.prppg.ufes.br/ppgpsi
.:::. Textos disponíveis na pasta "Seleção 2008/2009 PPGPSI", na xerox Centro de Vivência (próximo ao Cine Metrópolis)

domingo, 5 de outubro de 2008

Nota de rodapé | Juan Pereira

Por que o conceito - a questão do conceito – tanto nos embaraça?

Introdução


Vejamos o que ocorre no lugar (situs) onde eles costumam aparecer. Seria na filosofia como é o costume. 1

Ora, direis: -“Em que a psicologia científica relaciona-se ou bem com a filosofia ou bem com as matemáticas modernas?” No caso, a Geometria Analítica cartesiana. Pelo contrário, causa certa repulsa ao homem de psicologia ter que lidar com as matemáticas. Ou com o discurso segundo o costume dos geômetras – os matemáticos.

Dizemos que nos custou tempo, autores, outro tanto de carne humana para desembarçarmos da filosofia para que ela agora re-apareça na cena?

Esta cisão foi percebida.
De modo algum pela fragilidade argumentativa de historiadores – quer ele (o historiador) adotasse mais empirismo, menos ou mais racionalismo e a plêiade de quaisquer outras posições filosóficas – justamente.
A exceção é – historicamente datada - do muito digno nome de Wilhelm Maximilian Wundt para os títulos de nobreza científica da dita psicologia, para honra e glória das ciências denominadas de hard - no anglicismo hard sciences.

Esta cisão produziu o quadro de miserabilidade atual da Psicologia.

É seguro que a Psicologia – tal como praticada e teorizada - gerou algum conceito?

No que se segue me apoiei na justa, legítima e sacrossanta fúria do filósofo Gilles Deleuze contra os inexoráveis axiomas do capitalismo – permitam-me. [ver 6. João de Patmos, pp.45-63, Crítica e Clínica na tradução de Pelbart. 1993-1997]

Pode-se estabelecer – com certa clareza e equilíbrio instável – um modo mínimo e razoável de tratar a Questão do Conceito, em três tempos: filosofia, poieisis, 2 pensamento.

Tal como neste momento:

“A filosofia não é comunicativa, nem contemplativa ou reflexiva: ela é, por natureza, criadora ou mesmo revolucionária na medida em que não cessa de criar novos conceitos. A única condição é de que eles tenham uma necessidade, mas também uma ‘estrangeiridade’, e eles as têm na medida em que correspondem a verdadeiros problemas. O conceito é o que impede o pensamento de ser uma simples opinião, um conselho, uma discussão, uma conversa (itálicos meus).” 3

São três laços - entrelaçamentos e seus enraizamentos - que insistem e subsistem desde que haja palavra posto que seja próprio do conceito impedir o fluxo alucinado da deriva incessante do pensamento.
Onde? Na Ágora da Doxa e na hemorragia infinda das imagens. Impedir o fluxo do delírio – quer queiram ou não, dos significantes – no espaço aberto da opinião, do senso comum.

Assim: “O conceito é forçosamente um paradoxo”(idem). De outro lado é forçoso admitir que a posição do conceito no discurso da ciência é bem outra, supondo-se que o mínimo de paradoxo seja que “(...) em primeiro lugar ele destrói o bom senso como sentido único (...)[DELEUZE, G. Lógica do sentido p. 3]”. Dado que este é o primeiro passo nos manuais de epistemologia – decerto um bocado depauperante.

Ainda, que o conceito comporte a dimensão do afeto e do percepto é de uma especificidade tal que a Prudência clama manter-nos somente no plano da palavra.
Mas qual via devemos tomar?
Sem equívocos:

“(...) O factício e o simulacro se opõem no coração da modernidade, no ponto em que esta acerta todas as suas contas, assim como se opõem dois modos de destruição: os dois niilismos. Pois há uma grande diferença entre destruir para conservar e perpetuar a ordem restabelecida das representações, dos modelos e das cópias e destruir os modelos e as cópias para instaurar o caos que cria, que faz marchar os simulacros e levantar um fantasma — a mais inocente de todas as destruições, a do platonismo. (itálicos meus....)” DELEUZE, G., Lógica do sentido p. 271]

Se assim é, então, há um axioma que prima pela simulação, mimetismo e logro - o Amor – que da suma teológica de São Tomas de Aquino passando por Santo Agostinho, entre platônicos e aristotélicos - siderou o pensamento filosófico-religioso de corte cristianizado.
Prefiro, hoje, estar com Spinoza ao lado de Deleuze. 4
–“Dizeis então que devemos temer Deus?”
Ora, caso contrário desmorona nossa humilde participação em La Pensée-Deleuze – escrito assim com todas as letras por Fanny Deleuze e Richard Pinhas em algum lugar.
Quão dessemelhante, meu Deus.
...............................
PRÓLOGO

Este conjunto de textos, dos quais alguns são inéditos, outros já publicados, organiza-se em torno de determinados problemas. O pro¬blema de escrever, o escritor, como diz Proust, inventa na língua uma nova língua, uma língua de algum modo estrangeira. Ele traz à luz novas potências gramaticais ou sintáticas. Arrasta a língua para fora de seus sulcos costumeiros, leva-a a delirar. Mas o problema de escre¬ver é também inseparável de um problema de ver e de ouvir: com efeito, quando se cria uma outra língua no interior da língua, a linguagem inteira tende para um limite "assintático", "agramatical", ou que se comunica com seu próprio fora.
O limite não está fora da linguagem, ele é o seu fora: é feito de visões e audições não-linguageiras, mas que só a linguagem torna pos¬síveis. Por isso há uma pintura e uma música próprias da escrita, como efeitos de cores e de sonoridades que se elevam acima das palavras. É através das palavras, entre as palavras, que se vê e se ouve. Beckett falava em "perfurar buracos" na linguagem para ver ou ouvir "o que está escondido atrás". De cada escritor é preciso dizer: é um vidente, um ouvidor, "mal visto mal dito", é um colorista, um músico.
Essas visões, essas audições não são um assunto privado, mas formam as figuras de uma história e de uma geografia incessantemente reinventadas. É o delírio que as inventa, como processo que arrasta as palavras de um extremo a outro do universo. São acontecimentos na fronteira da linguagem. Porém, quando o delírio recai no estado clínico, as palavras em nada mais desembocam, já não se ouve nem se vê coisa alguma através delas, exceto uma noite que perdeu sua histó¬ria, suas cores e seus cantos. A literatura é uma saúde.
Esses problemas traçam um conjunto de caminhos. Os textos aqui apresentados, e os autores considerados, são tais caminhos. Uns são curtos, outros mais longos, mas eles se cruzam, tornam a passar pelos mesmos lugares, aproximam-se ou se separam, cada qual oferece uma vista sobre outros. Alguns são impasses fechados pela doença.
Toda obra é uma viagem, um trajeto, mas que só percorre tal ou qual cami¬nho exterior em virtude dos caminhos e trajetórias interiores que a compõem, que constituem sua paisagem ou seu concerto.
Crítica e Clínica

1 De bom grado eu apostaria alguma coisa em dois acontecimentos – pelo menos: Descartes e sua Geometria Analítica – Apêndice ao seu Discurso Sobre o Método. Discours de la méthode pour bien conduire sa raison, et chercher la verité dans les sciences (discurso do método para bem conduzir sua razão e buscar a verdade nas ciências ). Estou enfatizando o termo discurso, de ocorrência comum no século XVII. Mais recentemente - na minha experiência - Spinoza em Ethica More Geometrico Demonstrata – Ética demonstrada segundo o costume geométrico.
2 Houaiss: pospositivo, do gr. poíésis,eós 'criação; fabricação, confecção; obra poética, poema, poesia', através do lat. poésis,is 'poesia, obra poética, obra em verso'; ocorre em cultismos dos XIX em diante, como galactopoese, hematopoiese/hematopoese, leucopoiese/leucopoese, onomatopoese; os subst. assim formados fazem adj. em –ico: galactopoético, hematopoiético/hematopoético, leucopoiético/leucopoético, onomatopoético; ver poet-
3 DELEUZE, G. in SIGNOS E ACONTECIMENTOS, Entrevista realizada por Raymond Bellour e François Ewald “Magazine Littéraire” nº 257, set./1988. Carlos Henrique de Escobar (ORG.) DOSSIER DELEUZE, HÓLON EDITORIAL. 1991. p. 9.
4 Sem jamais sequer mencionar a questão judaica. Tema caro às estranhas formas de religiosidade que hoje testemunhamos. Confira o cinemático amante etílico Mel Gibson, e seu A Paixão de Cristo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Acontece na UFES o:

II Encontro de Psicologia e questões contemporâneas
1 2 e 3 de outubro de 2008.
Universidade Federal do Espírito Santo

Programação:
Dia 01/10
8h – 9h | Recepção e Inscrição. (Auditório Manoel Vereza | CCJE)
9h – 9h30 | Abertura

9h30 – 12h30 | Apresentação Cultural com mostra de Vídeo e debate.
15h – 18h | Mesa Redonda I | Os usos da Cidade e produções de subjetividade
- Luís Antônio dos Santos Baptista | UFF
- Representante da Arquitetura Popular
- Representante do MST
- Maria Elizabeth Barros de Barros | UFES (Coordenação de Mesa)

18h | Apresentação Cultural.

Dia 02/10
09h – 12h30 | Oficinas e Fóruns
14h – 18h | Mesa Redonda II | Mídia, Arte e Cultura
- Marcia Medeiros|Diretora de TV
- Valdelino Gonçalves dos Santos Filho | Coord. do curso de Artes/UFES
- Paolette Z. Avellar | Representante do circuito cultura da região de São Pedro
- Leila Domingues | UFES (Coordenação de Mesa)

18h | Apresentação Cultural.

Dia 03/10
09h – 12h | Exibição de vídeos e discussão no Cine Metrópolis.
Prof. Dr. José Maria Coutinho | Secretaria de Cultura de Aracruz

14h – 18h | Mesa Redonda III | Movimentos de Resistência.
- Cecília Coimbra | UFF
- João José Barbosa Sana | Sec. de Segurança Pública de Vitória
- Pe. Savério Paolilo | Pastoral do Menor e Direitos Humanos
- Ana Lúcia Coelho Heckert | UFES (Coordenação de Mesa)

18h | Encerramento, Apresentação Cultural e Confraternização.

Tem se evidenciado nos mais diferentes debates contemporâneos a inseparabilidade entre os usos da cidade e a subjetividade. Propomos pensar menos em termos de seres individuais isolados (com suas personalidades ou estruturas internas) transitando pelas ruas e compondo um somatório coletivo (sociedade como somatório de indivíduos) e mais numa perspectiva que pense o humano em constante formação coletiva, cujos modos de existência são configurados quotidianamente por práticas eminentemente sociais (vetores tecnológicos, econômicos, midiáticos, legais, jurídicos, policiais, ecológicos, etc). O humano é necessariamente fabricado e modelado no registro social. Podemos dizer sinteticamente: NÓS SOMOS NOSSA CIDADE! Nossos corpos, corações, mentes e fazeres são tecidos diariamente pela mídia, nos deslocamentos pela cidade, nos usos dos espaços públicos, nas expressões artísticas, nos movimentos reivindicatórios...

Por tudo isso, consideramos de vital importância promover e ampliar as discussões sobre as imbricações “modos de existência-cidade-acessibilidade-mobilidade-subjetividade-qualidade de vida”, promovendo que tal debate seja o mais democrático possível, no respeito às diversas vozes e diferentes invenções.
Nesse sentido, nosso objetivo principal é compor conversações e parcerias com os usuários das cidades, transpassando os muros das universidades, dos poderes públicos, das instituições e até dos chamados movimentos sociais. Essencial se faz criar espaços de discussão em que se encontrem pessoas proponentes de novas composições cidades-subjetividades e que se construam parcerias de humano para humano, seja ele ambientalista, dona(o)-de-casa, acadêmico(a), técnico(a), morador(a) de periferia, sem-terra...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

João Nasceu

Galera,
Nasceu o neto de nossa primeira vovó Beth. João nasceu ontem a tarde no RJ. A mãe e o bebê estão bem. Beijo, Ana


Parabéns, Beth!
Dizem que a experiência de ser avó é muito mais gostosa do que a de ser mãe.
Se for verdade, minha cara, vc deve estar num paraíso. Pois minha experiência como mamãe está sendo maravilhosa!
Desejo tudo de bom para as 3 gerações.
bjins
Denise Coelho


Pode soltar fogos e rojões, Beth Barros!!!
Parabéns e que muitas felicidades surjam juntamente com o João!!!
Abraços!
Cleilson!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Resumo sobre "Exclusão Social e a nova desigualdade" | Janaina Brito

MARTINS, José de Souza Martins. Exclusão Social e a nova desigualdade. 3.ed. São Paulo: Paulos, 1997.

de Janaina Madeira Brito Stange


Introdução

(Página 10) – um alerta, uma responsabilidade a mais
“Como se os muitos aspectos problemáticos da realidade social estivessem à espera de quem os batizasse, lhes desse nome. E não estivessem à espera de quem lhes descobrisse os significados ocultos e ocultados, os mecanismos invisíveis da produção e reprodução da miséria, do sofrimento, das privações”.

(Página 14) – sobre a concepção de exclusão
“Por isso, rigorosamente falando, não existe exclusão: existe contradição, existem vítimas de processos sociais, políticos e econômicos excludentes; existe o conflito pelo qual a vítima dos processos excludentes proclama seu inconformismo, seu mal-estar, sua revolta, sua esperança, sua força reivindicativa e sua reivindicação corrosiva”.

(Página 16) – a exclusão como conceito, não como sentido do vivido
“O rótulo acaba se sobrepondo ao movimento que parece empurrar as pessoas, os pobres, os fracos, para fora de suas “melhores” e mais justas e “corretas” relações sociais, privando-as dos direitos que dão sentido a essas relações. Quando, de fato, esse movimento as está empurrando para “dentro”, para a condição subalterna de reprodutores mecânicos dos sistema econômico, reprodutores que não reivindiquem nem protestem em face de privações, injustiças, carências.”

(Página18) – exclusão-pobreza
“É preciso, pois, estar atento ao fato de que, mudando o nome de pobreza para exclusão, podemos estar escamoteando o fato de que a pobreza hoje, mais do que mudar de nome, mudou de forma, de âmbito e de conseqüências”.

(Página 20) - (...)“inclusão precária e instável, marginal.”

(Página 21) – “(...) temos de admitir que a idéia de exclusão é pobre e insuficiente. Ela nos lança na cilada de discutir o que não está acontecendo exatamente como sugerimos, impedindo-nos, portanto, de discutir o que de fato acontece: discutimos a exclusão e por isso, deixamos de discutir as formas pobres, insuficientes e, ás vezes, até indecentes de inclusão”.

“A nova desigualdade separa materialmente, mas unifica ideologicamente”.

(Página 22) – a nova desigualdade
“Já as novas categorias sociais geradas pela exclusão degradam o ser humano, retiram-lhe o que é historicamente próprio – a preeminência da construção do gênero humano, do homem livre num reino de justiça e igualdade. Recobrem e anulam o potencial de transformação das classes sociais e, por isso, tendem para a direção contrária, para o conformismo, para o comportamento anticivilizado e reacionário da reoligarquização do poder, do renascimento dos privilégios de alguns como contrapartida da privação de muitos, da violência privada, da nova modalidade de clientelismo que é o clientelismo ideológico derivado da colonização do imaginário do homem comum, especialmente dos pobres, através do consumismo dirigido”.

1- O falso problema da exclusão e o problema social da inclusão marginal

(Página 25) – “(...) não existe exclusão”.
(Página 31) – sobre o Brasil
“Não podemos imaginar uma sociedade constituída de bons e maus, de algozes e vítimas, destituída de contradições, de tensões, de conflitos, de diferenças, de violências”.

(Página 32) – o capitalismo; a inclusão degradante; a população sobrante; re-integração econômica e desintegração moral; a degradação da condição humana;

“O capitalismo na verdade desenraiza e brutaliza a todos, exclui a todos. Na sociedade capitalista essa é uma regra estruturante: todos nós, em vários momentos de nossa vida, e de diferentes modos, dolorosos ou não, fomos desenraizados e excluídos. É próprio dessa lógica de exclusão e inclusão. A sociedade capitalista desenraiza, exclui, para incluir, incluir de outro modo, segundo suas próprias regras, segundo sua própria lógica”.

(Página 35-36) – no Brasil
“Mas está crescendo brutalmente no Brasil uma outra sociedade que é uma sub-humanidade: uma humanidade incorporada através do trabalho precário, do trambique, no pequeno comércio, no setor de serviços mal pagos ou, até mesmo, exclusos etc. O conjunto da sociedade já não é sociedade da produção, mas a sociedade de consumo e da circulação de mercadorias e serviços”.

(Página 37) – a resposta da sociedade; as soluções possíveis; o evidenciar as contradições; e defender contradições que não sejam insuportáveis

“Quando pensamos no alternativo, podemos ver que a população mesma está construindo a alternativa, uma alternativa includente, não uma alternativa que aprofunde o abismo com o existente, não a recusa das contradições da sociedade atual”.

2- Migrações temporárias, problemas para quem?

Aqui ele demonstra como a migração é normalmente caso de polícia, pois se vê com os olhos das classes dominantes; é situação análoga ao risco social; são visões de uma classe sobre a outra, desconhecendo as motivações singulares de quem migra; Neste sentido, as soluções que surgem são as tutelas; As ONGs tutelam (olhar estrangeiro) ou emancipam (luta)!!!! Cuidado com o olhar restarurador que vem do estrangeiro;

3- A questão agrária nos dilemas da governabilidade

A lógica de privilégios está no cerne da cultura brasileira; compõe nossa história; A mão-de-obra superante é produzida desde a Lei de Terras, com seu princípio de compra e venda; Vê-se que os processos de modernização prescinde do homem e gera gentes sobrante e gente em situação de escassez;

(Página 52) – a responsabilidade do Estado brasileiro com a questão agrária, que não se trata unicamente da questão da reforma agrária e ainda nos esclarece sobre os mecanismos complexos da produção da pobreza no país.
“O estado foi profundamente envolvido como gestor dessa política de redistribuição de recursos públicos para o setor privado, de recursos sociais para os setores ricos da população, ricos e poderosos. As características assumidas pelo direito de propriedade no Brasil, sobretudo durante o regime militar, revitalizaram as velhas oligarquias políticas latifundistas e as recolocaram no centro dos mecanismos de poder do país. É o que dá ao Estado brasileiro caráter tão profundamente oligárquico, clientelista e antimoderno”.

O autor entende que os Movimentos Sociais tem a função de colocar os impasses como uma questão política, de denunciar o conflito e a incoerência, de criar o debate e a possibilidade de negociação (diz isso analisando a questão agrária brasileira e a agenda política);

4- O Brasil arcaico contra o Brasil moderno

O autor entende questão social diferente de questão política e chama a atenção para as soluções policiais no lugar da solução social (o que outros, chamam de criminalização);

(Página 59) – a não implicação, afetação com a situação social gera desresponsabilização
“Se o conflito é o conflito do Brasil arcaico e o Brasil moderno, é preciso não esquecer a responsabilidade social das elites e do estado na sua solução. É preciso não esquecer os encargos sociais da modernização. As elites deste país têm demonstrado desde a abolição da escravatura, quando os ex-escravos foram abandonados à própria-sorte e que os trabalhadores e os pobres são considerados residuais e descartáveis”.

5- Mecanismos perversos da exclusão: a questão agrária


(Página 66) – a lógica da terra alimentando a da interdição e da submissão do pobre no Brasil; as alternativas autônomas à submissão, ao sistema hegemônico, são sempre menores, são sempre limitadas. Isso me faz lembrar ao que se orienta de produção de expectativas aos jovens, à inserção no mundo do trabalho. Como se apenas algumas poucos formas hegemônicas de vida, de trabalho, são válidas. São essas que orientam, escolas, projetos educacionais de ONGS. Ou se se produz o alternativo ao hegemônico como esmola ao pobre. À ele só algumas poucas possibilidade. Ao pobre, não cabe criar, inventar formas autônomas e livres desta hegemonia brasileira, que muda a roupagem, mas mantém seu mecanismo duradouro.

“Cessada a escravidão, era necessário criar um mecanismo que tornasse o trabalho nas terras dos fazendeiros o único meio de sobreviver. O direito de propriedade da terra que se implanta no Brasil nesse momento, e em vigência até hoje, tem essencialmente essa finalidade: tornar o trabalho em terra alheia, em terra dos grandes proprietários, o único meio de sobrevivência dos pobres”.

(Página 70) – o impasse histórico: modernidade inconclusa; desenvolvimento econômico excludente; e uma democracia precária e não participativa;
“A nossa modernização tem um estilo próprio: ocorre intensamente na área econômica, até mesmo no campo, sem significativas repercussões no âmbito social e, sobretudo, político. Esse é, ainda hoje, penso, o nosso impasse histórico”.


(Página 72) – a questão são os excedentes populacionais e não as migrações em si
“(...) os homens fazem essa migração temporária e cíclica unicamente para não ser uma boca a mais na casa de origem. Surge, assim, um enorme problema nacional: os excedentes populacionais, a população sobrante, os excluídos, para os quais não existe lugar estável de trabalho e vida, sendo absorvidos pela economia marginal e precariamente”.

(Página 73) – possibilitar a revolução social. A revolução é uma via desta, mas não a única...mas é importante que a promovamos nos diferentes níveis;
“Hoje o mercado de trabalho é muito restrito e seletivo para o volume das massas excedentes de população que estão sendo criadas (...) essa produção de excedentes populacionais cria uma miséria profundamente desumanizadora, que não politiza nem anima a possibilidade da revolução social, antes, a freia”.

(Página 81) – o clientelismo na estrutura da sociedade
“Você pode ir a qualquer lugar do Brasil, para tratar de qualquer assunto, desde problema de saúde até reforma agrária, e, inevitavelmente, encontra pela frente o poder, a presença insidiosa desse pessoal, do político local, do oligarca, que age em função de seus interesses privados e que é incapaz de assumir com impessoalidade as funções sociais do Estado”.

(Página 88) - o imobilismo
“Não há quem se disponha a pensar a necessidade e a urgência dessas transformações. É o que assegura a impunidade dessas elites; elas se sentem seguras de que ninguém irá tirá-las de nossas costas”.

(Página 105) – o cuidado com a restrição da questão social à questão econômica
“É preciso não esquecer que o dimensionamento econômico do mundo moderno, a escala da economia e do lucro, tende a reduzir os problemas sociais à sua dimensão econômica. O capitalismo dos dias de hoje tem soluções econômicas para os problemas sociais que tornam dispensável transformar estes problemas em questões políticas e históricas”.

(Página 114) – sobre o MST
“Só da certo porque a própria população envolvida no movimento está nele, não só porque quer terra, mas também, porque tem um modo de vida como bandeira. Uma mística de como viver, de como o ser humano deve ser”.

(Página 115) “Os movimentos sociais existem enquanto existe uma causa não resolvida. Se o problema se resolve, acaba o movimento. Se ele não se resolve, a tendência é a de que o movimento se institucionalize, se transforme numa organização, como é o caso do MST”.

“À medida que o Movimento dos Sem-Terra questiona o injusto e anti-social regime de propriedade, à medida que, ao reivindicar, cria impasses políticos criativos para os governantes e o Estado, à medida que obriga o Estado, com suas ações concretas de ocupação de terras, de alguma forma, ainda que tangencialmente, a tomar providências protelatórias, a negociar, a fazer reformas tópicas, nessa medida o Movimento questiona o estado oligárquico e latifundista. Assim agindo, o Movimento dos Sem-Terra atua no sentido de democratizar a propriedade da terra e de desimpedir um fator de persistência da mentalidade oligárquica. Nesse sentido ele é essencialmente modernizador, muito mais modernizador do que o capital que se compôs com a grande propriedade fundiária”.

(Página 126) – o possível
“Para Lefebvre, o possível é o eixo da luta e da consciência de quem luta. A utopia é a proposta de uma transformação do mundo alicerçada no possível. A utopia está no residual, está naquilo que não pode ser capturado pelo poder e pelo os que tem poder ”.

6- O significado da criação da comissão pastoral da terra na história social e contemporânea do Brasil


(Página 133) “Eles não conseguiam compreender que os grandes momentos de transformação radical das sociedades humanas tem sido justamente momentos de subversão, em que as relações de poder se invertem, em que os excluídos da participação política passam a ter responsabilidades na condução dos destinos da sociedade inteira”

È importante colocar como princípio a condição humana no cerne das questões sociais; E isso reconhece que (...) os excluídos e os penalizados pela brutalização política e econômica não perdem a sua condição humana com o desenvolvimento capitalista. E por isso, não perdem o direito àquilo que os faz dignos e humanos, que são as condições de sua sobrevivência”. (Página 139)

Resumo sobre "A sociabilidade do homem simples" | Janaina Brito

MARTINS, José de Souza Martins. A sociabilidade do homem simples: cotidiano e história da modernidade anômala. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2008.

de Janaina Madeira Brito Stange


Introdução
(Página 10) – sobre o livro
“Nessa adversidade, a questão é saber como a História irrompe na vida de todo dia. Como, no tempo miúdo da vida cotidiana, travamos o embate, sem certeza nem clareza, pelas conquistas fundamentais do gênero humano; por aquilo que liberta o homem das múltiplas misérias que o fazem pobre de tudo: de condições adequadas de vida, de tempo para si e para os seus, de liberdade, de imaginação, de prazer no trabalho, de criatividade, de alegria e de festa, de compreensão ativa de seu lugar na construção social da realidade.”

Primeira Parte
1- As hesitações do moderno e as contradições da modernidade no Brasil

(Página 18-19) – sobre a modernidade, no Brasil “inconclusa”
“A modernidade, porém, não é feita do encontro homogeneizante da diversidade do homem, como sugere a concepção de globalização. É constituída, ainda, pelos ritmos desiguais do desenvolvimento econômico e social, pelo acelerado avanço tecnológico, pela acelerada e desproporcional acumulação de capital, pela imensa e crescente miséria globalizada, dos que têm fome e sede de justiça, de trabalho, de sonho, de alegria. Fomo e sede de realização democrática das promessas da modernidade, do que ela é para alguns e, ao mesmo tempo, apenas parece ser para todos.”

(Página 26) – “Politicamente, somos de tradição liberal, mas de um liberalismo fundado nas tradições do poder pessoal e do clientelismo político, seus opostos.”

A idéia de que o popular não é um estado puro, ele porta transfigurações; Não há purezas; ele trata a modernidade pelos signos do popular;

(Página 33) – o mascarar
“Portanto, o signo do moderno, mais do que ser moderno. Este é o ponto: parecer moderno, mais do que ser moderno. A modernidade se apresenta, assim, como a máscara para ser vista. Está mais no âmbito do ser visto do que do viver.”

(Página 36) – encolhe, mas não mina de vez
“No fundo, a modernidade exacerbou o imaginário, a capacidade de fabulação, e encolheu a imaginação, a capacidade social de criar saídas e inovações para os problemas. Com isso, ampliou a capacidade social de racionalizar e justificar o injustificável.”

2- O senso comum e a vida cotidiana

(Página 52) – cotidiano
“Se a vida de todo o dia se tornou o refúgio dos céticos, tornou-se igualmente o ponto de referência das novas esperanças da sociedade. O novo herói da vida é o homem comum imerso no cotidiano. É que no pequeno mundo de todos os dias está também o tempo e o lugar da eficácia das vontades individuais, daquilo que faz a força da sociedade civil, dos movimentos sociais.”

(Página 54) – senso comum
“O senso comum é comum não porque seja banal ou mero exterior conhecimento. Mas, porque é conhecimento compartilhado entre os sujeitos da relação social. Nela o significado a precede, pois é condição de seu estabelecimento e ocorrência. Sem significado compartilhado não há interação.”.

(Página 57) – reprodução social
“A reprodução social, lembrou Lefebvre, mais de uma vez, é reprodução ampliada de capital, mas é também reprodução ampliada de contradições sociais: não há reprodução de relações sociais sem uma certa produção de relações – não há repetição do velho sem uma certa criação do novo, mas não há produto sem obra, não há vida sem História. Esses momentos são momentos de anúncio do homem como criador e criatura de si mesmo.”

(Sobre a transformação do impossível em possível)
“Pois, é no instante dessas rupturas do cotidiano, nos instantes da invisibilidade da reprodução, que se instaura o momento da invenção, da ousadia, do atrevimento, da transgressão. E aí a desordem é outra, como é outra a criação. Já não se trata de remendar as fraturas do mundo da vida, para recriá-lo. Mas de dar voz ao silêncio, de dar vida à História.”

3- A peleja da vida cotidiana em nosso imaginário onírico

“(...) o sonho é, para o homem comum, mas do que sonhar.” (p.60)

(Página 65) – ainda sobre o moderno
“No meu modo de ver, esse desencontro é indicativo da substantiva permanência de referências estruturais comunitárias e tradicionais na base da consciência dos membros de uma sociedade como esta, que realiza de forma imperfeita e incompleta a transição para o mundo racional e moderno. O moderno é, no fundo, apenas tênue carapaça que recobre precariamente as seguranças mais profundas de relações sociais arcaicas.”

4- Apontamentos sobre a vida cotidiana e a História

(Página 85) – vida privada e vida cotidiana são categorias delicadas para a nossa peculiaridade histórica; na modernidade européia a vida cotidiana comporta uma vida privada, que no Brasil se apresente de forma diferente;

“A nossa cultura urbana carnavalesca e exibicionista não favorece o desenvolvimento amplo e profundo da vida privada, a não ser como excrescência, sobretudo porque tem a rua como ponto de reparo. Evidentemente, temos vida privada. Mas, não necessariamente vida privada como um modo de vida que defina um estilo dominante de viver. A diferença entre a rua e a casa é muito sutil em nossa cultura (...) O fato de que, no Brasil, em público as pessoas se comportem como se estivessem em casa, desde o falar alto até o uso do telefone celular como se fosse um brinco ou um anel, constitui um indício forte da precariedade da vida privada entre nós.”

(Página 90) – a cotidianidade, uma outra temporalidade; um tempo em que o homem é o que vive e não o que pensa viver; campo da ação, por isso uma noção que ligamos à vida comunitária e seus arranjos na lida com a vida;
“O tempo do homem subjugado pela coisa, tempo em conflito com o tempo do homem que subjuga a coisa. Por isso, o cotidiano se transfigura na gestação da cotidianidade. Neste novo momento, a vida cotidiana se torna um modo de viver sem estilo. É o tempo do homem sem qualidade, mergulhado numa historicidade nova, tempo do homem desencontrado consigo mesmo, que se torna produto de seu produto, transfigurado de sujeito em objeto, em contradição com as características próprias da vida privada, que é determinada pelo tempo do sujeito. Momento em que aquilo que faz não é necessariamente aquilo que pensa estar fazendo.”

(Página 94) – a cotidianidade é uma noção não-burguesa;
“Para a burguesia (e sua consciência privada) o cotidiano é irrelevante. Para os que se inquietam com os bloqueios das promessas da História, da redenção do Homem, da constituição da universalidade do homem, o cotidiano é relevante, pois é fonte desse bloqueio e lugar da busca das possibilidades da História. Não por acaso, o possível, isto é, o propriamente histórico, aparece como não residual, como não capturado pelo repetitivo. A cotidianidade não é, nem pode ser, vaga substantivação de uma adjetivo da moda (...) Ela é o momento da história que parece dominado pelo repetitivo e pelo o que não tem sentido.”

(Página 95) – “É nas tensões do vivido que tem lugar o encontro/desencontro da vida cotidiana com a vida privada, e da vida cotidiana com a História.”
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5- Excurso: As temporalidades da História na dialética de Henri Lefebvre

(Página 101) – as relações sociais sobrevivem de deferentes momentos históricos
“Porém, a lei da formação econômica-social é a lei do desenvolvimento desigual: “Ela significa que as forças produtivas, as relações sociais, as superestrutura (políticas e culturais) não avançam igualmente, simultaneamente, no mesmo ritmo histórico.”

(Página 103) – o homem reproduz e produz
“O homem age sobre a natureza na atividade social de atender suas necessidades. Constrói relações sociais e concepções, idéias, interpretações, que dão sentido àquilo faz e àquilo de que carece. Reproduz, mas também produz, insto é, modifica, revoluciona, a sociedade, base de sua atuação sobre a natureza, inclusive sua própria natureza. Ele modifica, edifica sua humanidade, agindo sobre as condições naturais e sociais de sua existência, e nesse movimento, sobre as condições propriamente econômicas.”

(Sobre a pobreza)
“A pobreza, nesta reinterpretação de Lefebvre, ganha um significado bem diverso da concepção limitada de pobreza material que era característica da época de Marx. A pobreza é pobreza de realização das possibilidades criadas pelo próprio homem para sua libertação das carências que o colocam aquém do possível.”

(Página 107) – para a transformação
“Para isso é preciso juntar os fragmentos, dar sentido ao residual, descobrir o que ele contém como possibilidade não realizada.”

Segunda Parte
1- História e Memória

(Página 117) – sobre a história Local
“A história local é certamente um momento da História, mas momento no sentido expressão particular e localizada das contradições históricas. (...) É no âmbito local que a História é vivida e é onde, pois, tem sentido para o sujeito da História.”

(Página 119) – sobre sua opção metodológica
“(...) pretende e espera trazer para as ciências sociais a realidade de um mundo ocultado pelas grandes categorias explicativas e pelas grandes abstrações, aquilo que nem sempre tem tido visibilidade no trabalho científico, o drama e a trama da sociabilidade dos simples. Há nisso uma proposta metodológica e teórica: observar a sociedade a partir da margem, do mundo cinzento daqueles aos quais as contradições da vida social deram a aparência de insignificantes e que como insignificantes são tratados pela ciência. E, no entanto, se movem....”

(Página 127) – sobre a memória
“A reconstituição histórica que incorpore os dados da memória implica em reformular a concepção de História, mediante a incorporação de outras temporalidades, diversa daquelas que marcam o tempo reconhecido da História. Mediante, também, a incorporação dos pequenos acontecimentos da vida cotidiana e a das concepções de senso comum que mediatizam a inserção do homem comum nos processos históricos. (...) A memória não é um substituto do documento escrito, mas é reveladora de realidades que não estão registradas neste tipo de documento.”

2- Por uma sociologia sensível


(Página 148) – Revolução social, que o subúrbio também faz
“Todo ato de luta contra pobreza, contra a exploração de quem trabalha, contra privação de vida e dignidade, é um ato em favor da mudança na vida, é um ato revolucionário. De modo que o novo e a inovação se põem diante da cada um de nós de diferentes modos e sob diferentes temas. A responsabilidade da História é responsabilidade de diferentes sujeitos históricos e não de um só. Portanto, as possibilidades da História e do novo não estão só nem principalmente no subúrbio, mas também estão lá, de um modo específico.”

(Página 158) – legitimidade é diferente de legalidade
“Numa sociedade em que os códigos, as leis e o direito são de inspiração iluminista e respondem a concepções européias das elites, não tendo, portanto, qualquer raiz nas tradições e na cultura do povo, e povo daqui, com o peso de uma história social singular, que teve escravidão e chibata, é previsível um grande e significativo desencontro entre legitimidade e legalidade.”

A dimensão da Luta, para Martins, surge para ser considerado, reconhecido, ouvido, incluído...de fato, para que uma política pública por exemplo, seja democratizada.